O Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, está oficialmente de volta à vitrine do mercado de infraestrutura. O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) deu início, nesta terça-feira (3), ao processo de leilão do terminal, com a abertura do roadshow com investidores e a apresentação oficial do edital de concessão. Avaliado em R$ 932 milhões, o certame marca um novo momento para o terceiro maior aeroporto do país, que movimentou 17,5 milhões de passageiros em 2023 — sendo 5,6 milhões apenas em voos internacionais. O leilão está previsto para o dia 30 de março, na sede da B3, em São Paulo, e seguirá o modelo de venda assistida, viabilizado por acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU). A expectativa do governo é de atrair operadores internacionais de grande porte, retomando a competitividade e a importância estratégica do Galeão para o tráfego aéreo nacional e global.

Como será o leilão e quem está na disputa
A iniciativa do roadshow é conduzida pelo MPor em parceria com a Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos (Seppi), da Casa Civil da Presidência da República, e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O modelo adotado prevê encontros individuais com investidores potenciais, tanto em formato on-line quanto presencial — estes últimos realizados na sede da Anac, em São Paulo.
A proposta mínima estipulada no edital é de R$ 932 milhões, pagos à vista, além de uma contribuição variável de 20% do faturamento bruto anual até 2039, valor que deverá ser recolhido à União. Trata-se de uma concessão de longo prazo com previsão de retorno relevante para investidores estratégicos, especialmente os que já atuam no setor de transporte aéreo global.
Um dos diferenciais do leilão é a obrigatoriedade de participação dos atuais acionistas privados da RIOgaleão — Changi (Singapura) e Vinci (França), que detêm 51% da sociedade. Ambos devem apresentar, no mínimo, uma proposta no valor-base. Já a Infraero, com 49% de participação, deixará a sociedade após a conclusão da venda, conforme o acordo validado pelo TCU.
Por que isso importa para o setor
A reestruturação da concessão do Galeão é vista por especialistas como um movimento crucial para a recuperação da malha aérea fluminense, duramente afetada pela pandemia e por problemas de gestão anteriores. O terminal, que já foi o principal hub internacional do Brasil, perdeu protagonismo nos últimos anos, especialmente com a ascensão do Aeroporto de Guarulhos (SP) e o crescimento de operações no Aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio.
Do ponto de vista técnico e logístico, o Galeão ainda dispõe de excelente infraestrutura, pistas longas, pátios modernos e capacidade para crescer, tanto em voos quanto em carga aérea. Para investidores, o cenário é de oportunidade estratégica com ativos já prontos, localização privilegiada e demanda reprimida.
A expectativa do governo é que, sob nova gestão privada qualificada, o aeroporto possa atrair novas rotas, ampliar a conectividade internacional e gerar empregos diretos e indiretos, com impacto positivo em toda a cadeia produtiva do setor de aviação, turismo e construção civil.

O que muda para engenheiros civis e construtoras
Para engenheiros civis e empresas da área de construção, o novo ciclo de concessão do Galeão pode representar uma janela valiosa de contratos e obras. A requalificação de terminais, modernização de sistemas, expansão de hangares, áreas de logística, pátios de aeronaves e acessos viários são demandas naturais em processos de reestruturação aeroportuária.
Com a entrada de um novo operador, é esperado um plano de investimentos robusto, com possibilidade de parcerias com empresas brasileiras de engenharia especializadas em infraestrutura aeroportuária, mobilidade urbana e obras civis de alta complexidade. A infraestrutura do Galeão, embora moderna em muitos aspectos, ainda exige adaptações para padrões internacionais, sobretudo nos quesitos de eficiência energética, digitalização, conforto de passageiros e integração com outros modais.
Tendências: o que esperar do futuro do Galeão
A retomada do Galeão acontece em um contexto de revalorização dos aeroportos brasileiros como ativos estratégicos, em meio a uma nova leva de concessões e reestruturações no setor. O leilão do Galeão é simbólico por seu porte, localização e impacto regional, mas também serve como termômetro para o apetite do mercado por infraestrutura pública de grande escala.
Nos bastidores, especula-se que o novo operador poderá trazer tecnologias de gestão aeroportuária de última geração, experiências já aplicadas em hubs asiáticos e europeus, e planos de integração do Galeão com sistemas ferroviários e logísticos da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A digitalização de processos, uso de inteligência artificial no controle de tráfego e atendimento ao usuário, além de práticas ESG (ambientais, sociais e de governança), devem ganhar espaço nos próximos anos, transformando o aeroporto em uma peça-chave da mobilidade internacional e do desenvolvimento regional.
Reportagem: Eng. Fabricio Rossi – 09 fevereiro 2026 – Belo Horizonte – MG