O custo da construção voltou a ganhar força em agosto. O Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), registrou alta de 0,85%, acima dos 0,62% observados em julho.
A aceleração ocorreu principalmente pela mão de obra, cuja variação passou de 0,93% para 1,56%. Em sentido contrário, Materiais, Equipamentos e Serviços perderam ritmo, ajudando a conter uma alta ainda maior do índice.
Em 12 meses, o INCC-M acumula 6,56%, abaixo dos 7,49% registrados em agosto de 2025. No acumulado de 2026, a alta chegou a 5,59%.
O que é o INCC-M e por que ele é tão relevante?
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) é um dos principais indicadores utilizados para acompanhar a variação dos custos da construção civil brasileira.
Calculado mensalmente pela FGV IBRE, o índice monitora a evolução dos custos relacionados a materiais, equipamentos, serviços e mão de obra.
A pesquisa considera sete capitais brasileiras:
- Belo Horizonte;
- Brasília;
- Porto Alegre;
- Recife;
- Salvador;
- Rio de Janeiro;
- São Paulo.
Por acompanhar componentes diretamente relacionados à execução das obras, o INCC-M é uma importante referência para planejamento financeiro, atualização de custos e acompanhamento do mercado da construção.
Como ficou a evolução do INCC-M em 2026?
Depois de desacelerar de 0,85% em junho para 0,62% em julho, o INCC-M voltou a registrar alta de 0,85% em agosto.
A evolução mensal em 2026 ficou assim:

O resultado mostra uma retomada da pressão mensal sobre os custos da construção, embora o acumulado em 12 meses permaneça abaixo do observado no mesmo período do ano passado.
O que influenciou o resultado de agosto do INCC-M?
O principal fator por trás da aceleração de agosto foi a Mão de Obra, que registrou alta de 1,56%, ante 0,93% em julho. O grupo acumula avanço de 6,51% no ano e 7,81% em 12 meses, acima da variação geral do INCC-M.
Já Materiais, Equipamentos e Serviços seguiram em direção oposta, desacelerando de 0,40% em julho para 0,33% em agosto.
Dentro desse grupo, Materiais e Equipamentos passaram de 0,42% para 0,33%. Três dos quatro subgrupos apresentaram redução em suas taxas, com destaque para materiais para acabamento, cuja variação caiu de 0,73% para apenas 0,13%.
Os Serviços, por outro lado, aceleraram de 0,25% para 0,33%. Segundo a FGV, o movimento foi influenciado pelo aluguel de máquinas e equipamentos, que passou de queda de 0,02% em julho para alta de 0,15% em agosto.
Porto Alegre e Brasília tiveram as maiores altas em agosto
A aceleração do INCC-M não ocorreu da mesma maneira em todas as localidades pesquisadas.
Cinco das sete capitais apresentaram aceleração em agosto: Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo. Salvador e Recife registraram desaceleração.
Entre as sete cidades, Porto Alegre apresentou a maior variação mensal, de 1,89%, seguida por Brasília, com 1,70%, e São Paulo, com 1,10%.
As variações de agosto foram:
- Porto Alegre: 1,89%;
- Brasília: 1,70%;
- São Paulo: 1,10%;
- Belo Horizonte: 0,34%;
- Rio de Janeiro: 0,31%;
- Recife: 0,17%;
- Salvador: 0,09%.
No acumulado em 12 meses, São Paulo apresenta a maior variação entre as capitais pesquisadas, com 7,37%, seguida por Porto Alegre, com 6,86%.
Como a alta do INCC-M impacta as obras?
A composição do resultado de agosto chama atenção porque a aceleração ocorreu mesmo com materiais e equipamentos apresentando menor pressão. Desta vez, foi o avanço da mão de obra que levou o índice novamente aos 0,85%.
Para construtoras e profissionais responsáveis pela gestão das obras, esse movimento reforça a importância de acompanhar não apenas os preços dos insumos, mas também custos de pessoal, produtividade e planejamento das equipes.
Em projetos de médio e longo prazo, mudanças nesses componentes podem alterar custos previstos e exigir atualização dos orçamentos e do planejamento financeiro.

O reflexo do INCC nos imóveis na planta
O INCC-M também é utilizado por incorporadoras como referência para a correção de contratos de imóveis na planta durante o período de construção.
Com o índice acumulando 6,56% em 12 meses, suas variações continuam relevantes para compradores que possuem contratos vinculados ao indicador. O impacto efetivo, entretanto, depende das condições previstas em cada contrato.
O que esperar para os próximos meses?
Agosto mostrou uma mudança importante na composição da pressão sobre os custos. Enquanto Materiais e Equipamentos desaceleraram, a Mão de Obra avançou com intensidade e acumula 7,81% em 12 meses.
Os próximos resultados ajudarão a mostrar se essa pressão sobre os custos de pessoal continuará ou se o índice voltará a perder ritmo. Para o setor, acompanhar separadamente os componentes do INCC-M será tão importante quanto observar o resultado geral.
Mão de obra reforça pressão sobre os custos da construção
O INCC-M voltou a acelerar em agosto e registrou alta de 0,85%, levando o acumulado de 2026 a 5,59% e o dos últimos 12 meses a 6,56%.
Diferentemente de julho, quando o índice havia desacelerado, agosto foi marcado principalmente pela forte alta da mão de obra, de 1,56%.
O resultado reforça que a pressão sobre os custos da construção pode mudar de origem de um mês para outro. Para construtoras, incorporadoras e profissionais da engenharia, acompanhar essa composição é fundamental para manter orçamentos atualizados e melhorar a previsibilidade financeira das obras.
Fonte: FGV IBRE – Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), agosto de 2026.