Os custos da construção continuam pressionando o mercado
A gestão de custos sempre foi um dos maiores desafios da construção civil brasileira. Em um setor onde pequenas variações nos preços dos insumos podem representar milhares de reais em uma obra, acompanhar os indicadores econômicos tornou-se uma atividade indispensável para engenheiros, construtoras e incorporadoras.
Nesse cenário, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) segue como um dos principais termômetros do setor.
Em maio de 2026, o indicador calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) registrou alta de 0,77%, após avançar 1,04% em abril. Com isso, o índice acumula elevação de 6,82% nos últimos 12 meses.

Embora o resultado de maio represente uma desaceleração em relação ao mês anterior, o acumulado anual demonstra que os custos da construção continuam em trajetória de alta, exigindo atenção redobrada no planejamento financeiro dos empreendimentos.
O que é o INCC-M e por que ele é tão importante?
O Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M) é um dos indicadores mais utilizados para acompanhar a evolução dos custos da construção civil no Brasil.
Calculado mensalmente pela FGV, o índice monitora a variação dos preços de três grandes grupos:
- Materiais, equipamentos e serviços;
- Mão de obra;
- Custos relacionados à execução das obras.
A pesquisa é realizada em sete capitais brasileiras e serve como referência para construtoras, incorporadoras, investidores, instituições financeiras e compradores de imóveis na planta.
Na prática, o INCC funciona como um indicador da inflação da construção civil, mostrando quanto os custos para construir estão aumentando ao longo do tempo.

O que influenciou o resultado de maio de 2026?
O resultado de maio reflete um cenário ainda marcado pela pressão dos custos da construção, embora em ritmo menor do que o observado em abril.
O grupo de materiais, equipamentos e serviços continuou apresentando impacto relevante na composição do índice. Ao mesmo tempo, os reajustes salariais negociados em algumas regiões do país seguem influenciando os custos de mão de obra, um dos componentes mais importantes do orçamento de qualquer empreendimento.
Além disso, fatores macroeconômicos continuam exercendo influência sobre o setor, como:
- Oscilações cambiais;
- Custos de energia;
- Preços de combustíveis;
- Variações nos preços de aço, cimento e derivados industriais;
- Custos logísticos.
Mesmo quando alguns materiais apresentam estabilidade, o conjunto desses fatores pode manter a pressão sobre os custos totais das obras.
Como a alta do INCC impacta as obras?
Para quem trabalha com planejamento e execução de empreendimentos, o impacto é direto.
Imagine uma obra orçada em R$ 10 milhões com prazo de execução de 24 meses. Um aumento acumulado de quase 7% nos custos da construção pode representar uma diferença superior a R$ 680 mil caso não existam mecanismos adequados de atualização orçamentária.
Entre os principais efeitos da alta do INCC estão:
Redução das margens de lucro
Empresas que trabalham com contratos fechados podem enfrentar redução significativa da rentabilidade quando os custos aumentam acima do previsto.
Revisão de orçamentos
Projetos em fase de planejamento precisam atualizar constantemente suas estimativas para evitar surpresas financeiras.
Necessidade de capital adicional
Empreendimentos de longa duração podem exigir novos aportes financeiros para absorver os aumentos de custos.
Maior atenção ao planejamento
O controle rigoroso de compras, cronogramas e produtividade torna-se ainda mais importante em períodos de inflação dos insumos.

O reflexo do INCC nos imóveis na planta
Além dos canteiros de obras, o índice também afeta diretamente os consumidores.
Durante a fase de construção, muitas incorporadoras utilizam o INCC como índice de correção das parcelas dos imóveis vendidos na planta. Isso significa que os valores pagos pelos compradores podem sofrer reajustes mensais conforme a variação do indicador.
Por essa razão, é fundamental que os clientes compreendam as regras contratuais antes da assinatura do contrato.
Para as incorporadoras, a utilização do índice ajuda a preservar o equilíbrio econômico do empreendimento diante das oscilações dos custos de construção.
Como engenheiros e construtoras podem se proteger?
Embora seja impossível controlar a inflação dos insumos, existem estratégias capazes de reduzir seus impactos.
Planejamento de compras
Antecipar a aquisição de materiais estratégicos pode gerar economia significativa em períodos de alta.
Contratos bem estruturados
Cláusulas de reajuste ajudam a reduzir riscos financeiros em contratos de longo prazo.
Monitoramento constante dos indicadores
Acompanhar mensalmente o INCC permite tomar decisões mais rápidas e ajustar orçamentos sempre que necessário.
Investimento em produtividade
Tecnologias como BIM, planejamento digital, industrialização da construção e sistemas de controle de obras ajudam a reduzir desperdícios e aumentar a eficiência operacional.
Em muitos casos, os ganhos de produtividade conseguem compensar parte dos aumentos registrados nos insumos.

O que esperar para os próximos meses?
Apesar da desaceleração observada em maio, o acumulado de 6,82% em 12 meses demonstra que o setor continua convivendo com custos elevados.
Os próximos resultados do INCC dependerão de fatores como:
- Evolução da inflação brasileira;
- Comportamento dos preços das commodities;
- Novos acordos salariais do setor;
- Taxa de câmbio;
- Cenário econômico nacional.
A tendência é que empresas com maior capacidade de planejamento e controle financeiro consigam enfrentar melhor os desafios impostos pelas oscilações dos custos da construção.

Conclusão
O resultado do INCC-M de maio de 2026 reforça uma realidade já conhecida pelos profissionais da construção civil: controlar custos continua sendo uma das tarefas mais estratégicas do setor.
Com alta de 0,77% no mês e acumulado de 6,82% nos últimos 12 meses, o indicador mostra que os custos da construção permanecem em trajetória de crescimento, mesmo com sinais de desaceleração em relação aos meses anteriores.
Para engenheiros, gestores de obras, construtoras e incorporadoras, acompanhar o INCC deixou de ser apenas uma prática financeira. Hoje, trata-se de uma ferramenta essencial para proteger margens, evitar prejuízos e garantir a sustentabilidade econômica dos empreendimentos.
Em um mercado cada vez mais competitivo, quem entende os números consegue tomar decisões mais rápidas, reduzir riscos e construir resultados mais sólidos.