O preço médio dos imóveis residenciais anunciados nas 56 cidades acompanhadas pelo Índice FipeZAP chegou a R$ 9.900 por metro quadrado em julho de 2026. No mês, os preços avançaram 0,46%, mantendo praticamente o mesmo ritmo observado em junho, quando a alta havia sido de 0,45%.
O movimento foi disseminado: 49 das 56 cidades monitoradas apresentaram aumento de preços em julho, incluindo 18 das 22 capitais que fazem parte do índice. Vitória registrou a maior alta mensal entre as capitais, com 1,56%, seguida por Recife, com 1,19%, e Aracaju, com 1,17%.
Para construtoras, o levantamento ajuda a entender como o mercado residencial está se comportando em diferentes regiões do país. Além da valorização, a diferença entre os preços por cidade mostra por que estudos de viabilidade, definição do produto e análise do mercado local precisam considerar muito mais do que uma média nacional.
Preços subiram acima da inflação em julho
A alta de 0,46% do FipeZAP em julho ficou bem acima da prévia da inflação ao consumidor medida pelo IPCA-15, que foi de 0,06%. No mesmo período, o IGP-M apresentou queda de 1,16%.
No acumulado entre janeiro e julho de 2026, entretanto, a leitura é diferente. O FipeZAP acumulou valorização de 2,89%, abaixo dos 3,43% utilizados pelo informe como referência para a inflação ao consumidor no período, mas acima dos 2,08% do IGP-M.
Quando a comparação é ampliada para 12 meses, os imóveis voltam a apresentar ganho acima da inflação. O índice acumulou alta de 5,46%, contra 4,43% da referência utilizada para o IPCA e 2,76% do IGP-M. Isso representa uma diferença de aproximadamente 1,03 ponto percentual em relação à inflação ao consumidor considerada no relatório.
Outro dado relevante é a abrangência desse movimento. Todas as 56 cidades monitoradas apresentaram valorização em 12 meses. Salvador liderou entre as capitais, com alta de 11,27%, seguida por Manaus, com 10,64%, Fortaleza, com 9,71%, e Vitória, com 9,41%.
Vitória tem o metro quadrado mais caro entre as cidades pesquisadas

Vitória chegou a R$ 15.448/m² em julho e assumiu a primeira posição entre todas as cidades monitoradas no levantamento. Logo atrás aparecem duas cidades catarinenses: Itapema, com R$ 15.403/m², e Balneário Camboriú, com R$ 15.295/m². Florianópolis aparece na sequência, com R$ 13.461/m².
A diferença entre os mercados é grande. Enquanto Vitória registra R$ 15.448/m², Pelotas, no Rio Grande do Sul, aparece na outra ponta da amostra, com R$ 4.547/m². Um imóvel hipotético de 100 m², usando apenas esses valores médios como referência, corresponderia a aproximadamente R$ 1,54 milhão em Vitória, diante de cerca de R$ 455 mil em Pelotas. O cálculo serve apenas para dimensionar a diferença entre os preços médios anunciados e não representa avaliação individual de imóveis.
Preço médio de venda por cidade — julho de 2026
A tabela abaixo reproduz os valores apresentados no comparativo de preço médio de venda da página 9 do Informe FipeZAP de julho de 2026. A média ponderada das cidades pesquisadas foi de R$ 9.900/m².

Imóveis de um dormitório têm o m² mais caro
O relatório também apresenta diferenças relevantes conforme o número de dormitórios.
Os imóveis com um dormitório registraram preço médio de R$ 12.123/m², aproximadamente 22% acima da média geral do índice. As unidades com dois dormitórios apresentaram o menor valor médio, de R$ 8.886/m². Imóveis com três dormitórios ficaram em R$ 9.353/m², enquanto unidades com quatro ou mais dormitórios atingiram R$ 10.787/m².
As unidades de um dormitório também lideraram a valorização dos últimos 12 meses, com alta de 7,29%. Na mesma comparação, imóveis de dois dormitórios avançaram 5,19%, unidades de três dormitórios, 4,04%, e imóveis com quatro ou mais dormitórios, 5,73%.
Para uma construtora, esses números não significam automaticamente que apartamentos compactos são o melhor produto para qualquer terreno. O índice mostra o comportamento médio dos anúncios da amostra. A decisão de um lançamento ainda precisa considerar localização, renda do público comprador, preço do terreno, área privativa, custo de construção, concorrência, velocidade de vendas e margem prevista.

O que os dados sinalizam para as construtoras
Um dos pontos mais interessantes do levantamento está na diferença entre preço atual e velocidade de valorização.
Aracaju, por exemplo, aparece entre as capitais com menor preço médio da amostra, R$ 5.764/m², mas acumulou alta de 9,14% nos últimos 12 meses. Salvador, com preço médio de R$ 8.610/m², liderou a valorização anual entre as capitais, com 11,27%. Vitória reúne as duas características: possui o maior preço médio entre as cidades pesquisadas e valorização de 9,41% em 12 meses.
Isso mostra por que analisar apenas o preço do metro quadrado pode levar a uma leitura incompleta do mercado. Para estudar um novo empreendimento, a construtora precisa observar simultaneamente preço praticado, tendência de valorização, concorrência, estoque disponível, velocidade de vendas e custo de implantação.
Também é importante lembrar como o indicador é construído. O FipeZAP utiliza amostras de anúncios de apartamentos prontos para venda publicados nos portais do Grupo OLX, acompanhando até 56 cidades, entre elas 22 capitais. Portanto, o valor indicado pelo índice funciona como referência de mercado e não deve ser confundido com laudo de avaliação ou preço efetivamente negociado em uma transação específica.
O preço do m² continua avançando, mas cada mercado conta uma história diferente
O resultado de julho confirma um mercado residencial ainda em valorização: alta de 0,46% no mês e de 5,46% em 12 meses, com todas as 56 cidades monitoradas apresentando avanço na comparação anual.
Para quem toma decisões dentro de uma construtora, porém, o dado mais útil não é apenas a média de R$ 9.900/m². A diferença entre Vitória, Itapema, São Paulo, Salvador, Aracaju ou Pelotas mostra que o mercado imobiliário brasileiro é formado por realidades locais bastante distintas.
Antes de definir terreno, produto, área das unidades e preço de lançamento, vale acompanhar indicadores como o FipeZAP e cruzá-los com os dados específicos da região onde o empreendimento será desenvolvido. Quanto melhor for a informação utilizada no estudo de viabilidade, menor será o risco de estruturar um produto com custo, preço ou posicionamento incompatíveis com o mercado.
Eng. Fabrício Rossi
InfoConstrução
20 de agosto de 2026