Levantamento de Quantitativos com IA: Como usar da maneira correta?

Por:

Eng. Gustavo Martins

Eng. Gustavo Martins

A etapa de quantitativo sempre foi vista como um trabalho braçal: projetos, escalímetro, calculadora, conferência e mais conferência.

Sempre costumo dizer nas palestras e eventos, que na minha opinião e em pesquisas. Esta etapa é responsável por 80% dos erros, principalmente de quem está começando na área.


Quem já fez isso de verdade sabe que não é difícil, mas é trabalhoso, principalmente quando não se tem todos os projetos e um escopo bem detalhado.

“A maior barreira sempre foi prever sem ter experiência de campo”.

O quantitativo exige que você antecipe o método construtivo da empresa, e isso pode variar muito de uma obra para outra e, principalmente, ser bem diferente da teoria que você deveria ter aprendido na faculdade.

Nos últimos meses, tenho observado a inteligência artificial entrar nesse cenário. E junto com ela, veio uma pergunta que eu escuto quase toda semana:

“Dá para fazer quantitativo usando IA?”

A resposta: sim.
A resposta correta é: depende de quem está usando.

Neste artigo, eu vou te mostrar:

  • o conceito de quantitativo com IA;
  • o método correto de usar IA sem errar;
  • e a aplicação prática, do jeito que funciona na minha visão sobre o tema.

Sem milagre, sem promessa vazia e sem substituir o Engenheiro de Custos. link: www.engenheirodecustos.com.br

1. IA não faz quantitativo sozinha, por enquanto.

Vamos começar deixando isso bem claro.

IA não entende de obra, pelo menos, não por enquanto…

IA não sabe o que é critério de medição, não conhece as bases que utilizamos:  SINAPI, TCPO, nem sabe o que é erro de projeto, como entregamos projetos atrasados e sem conferir muita coisa na prática que vivenciamos no Brasil…

O que a IA faz muito bem é:

  • organizar informação;
  • acelerar processos;
  • comparar dados;
  • repetir padrões.

Ou seja, ela é uma ferramenta, não um Engenheiro de Custos.

Se você não entende quantitativo, usar IA, não vai resolver o problema.
Na prática, ela só irá fazer você errar mais rápido.

E isso é bem perigoso, porque quantitativo errado vira:

  • orçamento estourado com obra com prejuízo;
  • compra de insumos a mais ou a menos;
  • problema direto no seu bolso.

Então o conceito é simples para não errar:
👉 primeiro vem o critério técnico, a base de orçamentos bem elaborada, depois vem a IA.

2. Como usar IA no quantitativo da maneira correta

Aqui está o ponto que quase ninguém explica.

Usar IA no quantitativo não é “jogar a planta no sistema e esperar o número sair”.


Isso não funciona na prática, principalmente sem um projeto executivo bem elaborado.

O método correto tem três etapas bem claras.

Etapa 1 – O engenheiro define o critério

Antes de qualquer IA entrar em cena, você precisa responder perguntas básicas:

  • Qual critério de medição eu vou usar?
  • Vou descontar vãos? A partir de qual área?
  • Estou considerando qual tipo de fundação?
  • Tenho ou não projeto estrutural?
  • O que é estimativa e o que é medida real?
  • Quais dados eu possuo, perímetro, etc..

Isso é exatamente o que a gente aprende no quantitativo tradicional.

A IA não decide isso por você.
Quem decide é o engenheiro.

Etapa 2 – A IA aplicada para acelerar

Depois que o critério está definido, a IA vira uma aliada muito forte.

Ela pode ajudar em:

  • organização e leitura dos ambientes;
  • repetição de cálculos;
  • conferência de áreas;
  • simulação de cenários;
  • estruturação de planilhas;
  • Estimativas de esquadrias, revestimentos com base no seu conhecimento.

Por exemplo:


Você já sabe como calcular alvenaria, cobertura ou concreto.


A IA entra para agilizar, não para pensar no seu lugar.

Antes de calcular, será necessário dar o contexto, e o contexto correto será a diferença entre acertar e errar feio com IA.

Etapa 3 – Conferência técnica continua sendo humana

Esse ponto é fundamental.

Mesmo usando IA, a conferência é do Engenheiro de Custos.

Na prática, eu sempre faço a revisão com estas três perguntas no final:

  1. Esse número faz sentido para a obra? Tenho parâmetros de obras anteriores para correção mais rápido?
  1. Está compatível com a tipologia da construção? Aqui posso usar alguns números e índices de orçamentos anteriores: kg de armadura/ m3 de concreto de etapas de fundação e infraestrutura, um exemplo. Se fugir muito, tem que ser auditado.
  1. Se eu comprasse hoje os insumos estimados no orçamento, vou ter problema? Está coerente com meus índices de produtividade das minhas composições?

Se a resposta for “não tenho a menor ideia”, o problema não é a IA.


É falta de base técnica. É falta de lastro de quem está usando a tecnologia, simples assim.

3. Aplicação prática: quantitativo com IA na vida real

Vamos trazer isso para a realidade do campo da obra.

Imagine um orçamento sem projeto executivo, situação extremamente comum em:

  • residências;
  • obras de pequeno e médio porte;
  • orçamentos comerciais e de reformas.

Você não tem projeto estrutural, hidráulico ou elétrico completo.


O que você faz?

Exatamente o que sempre foi feito:

  • define premissas, escopo;
  • usa estimativas técnicas;
  • adota critérios realistas.

A IA entra para:

  • organizar essas premissas e dar sugestões de ponto cego.
  • montar cenários e estimativas;
  • acelerar a quantificação do orçamento.

Fiz um vídeo onde mostro na prática, como é possível estimar por ambientes, pontos elétricos, hidráulicos, até mesmo esquadrias e revestimentos quando não se possuem todos os projetos. Assista por este link: https://www.youtube.com/watch?v=t_rmf5VxiwU

Mas quem decide se a broca tem 3 ou 5 metros é você. “E o laudo técnico, é claro”
Quem decide a seção da viga é você…
Quem decide o critério de cobertura é você…

A IA não assume responsabilidade técnica.
O Engenheiro assume e nestes casos, lembre-se que sempre estaremos olhando como uma estimativa de custos e não um orçamento executivo.

4. O maior erro de quem começa com IA no quantitativo.

Aqui vai um alerta importante.

O maior erro que eu vejo é o profissional pular a base e ir direto para a ferramenta.

Quer usar IA?
Ótimo.

Mas primeiro você precisa:

  • saber calcular na unha;
  • entender de onde vem cada número e cada memória de cálculo;
  • saber onde normalmente dá erro e como finalizar o orçamento.

A IA não substitui isso.
Ela potencializa quem já sabe.

Conclusão: IA é vantagem competitiva para quem tem Base!

Quantitativo com IA não é “hype”.
É uma vantagem competitiva para quem sabe usar.

Quem domina quantitativo:

  • ganha tempo;
  • reduz erro;
  • escala seus serviços;
  • e se destaca no mercado.

Quem não domina ainda:

  • fica refém da ferramenta;
  • perde controle;
  • assume riscos desnecessários
  • erra mais rápido…

No final, vale a regra de ouro:

IA não substitui o Engenheiro de Custos…
Ela valoriza o engenheiro que sabe o que está fazendo.

Se você quer usar IA no quantitativo, comece pelo básico.


Entenda o método.
Domine o critério.
Depois, use a tecnologia a seu favor.

É desta maneira que estamos usando na prática.

E se quiser aprender a base, continue acompanhando os materiais desta página e pessoas mais experientes para encurtar o caminho.

Abraço e até o próximo artigo.

Eng. Gustavo Martins

Compartilhe:

Notícias Relacionadas

Como aumentar o faturamento e o lucro de médias e pequenas construtoras

Planejar uma obra não é apenas definir uma data e custo de uma tarefa, Cuidado!

incorporacao-inomibiliaria-infoconstrucao

Como construir um prédio com investidores colocando pouco dinheiro? Conheça a Incorporação Imobiliária

Qual a Diferença entre construtora e incorporadora?

Como ganhar dinheiro na engenharia civil: R$7.000 a R$30.000 por mês

Pré-Fabricado: O Futuro que Chegou Há 50 Anos?

INSS de obra: Um grande ERRO é não incluir esse custo no orçamento

Conselho do FGTS eleva teto de imóveis do Minha Casa, Minha Vida