O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (5) a Taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano, marcando o quarto corte consecutivo da taxa básica de juros da economia brasileira.
Embora a decisão tenha sido bem recebida por representantes do setor produtivo, entidades avaliam que o ritmo de redução ainda é insuficiente para estimular investimentos, ampliar o acesso ao crédito e impulsionar o crescimento da economia.
Crédito caro continua preocupando a indústria
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) considera positiva a continuidade do ciclo de cortes da Selic, mas alerta que o nível atual dos juros ainda mantém o custo do crédito elevado.
Segundo a entidade, o alto custo do capital dificulta a modernização das empresas, reduz a competitividade da indústria brasileira e contribui para o baixo desempenho do setor de transformação, que registrou crescimento de apenas 0,4% no primeiro semestre de 2026, conforme dados do IBGE.
Indústria defende cortes mais expressivos
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirma que a taxa básica de juros permanece em um nível restritivo e defende reduções mais intensas.
Segundo a entidade, a Selic continua acima do patamar indicado pela Regra de Taylor, referência utilizada para equilibrar o controle da inflação com o crescimento da atividade econômica.
Trabalhadores também criticam decisão
A Força Sindical também considerou insuficiente a redução de 0,25 ponto percentual.
Para a central sindical, juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos, desestimulam o consumo e dificultam a geração de empregos.
Mercado mantém expectativa de novos cortes
Na avaliação de especialistas do mercado financeiro, o Banco Central manteve aberta a possibilidade de novas reduções da Selic nas próximas reuniões, mas reforçou uma postura cautelosa diante do cenário econômico.
A autoridade monetária destacou que a evolução da inflação, das expectativas do mercado e do ambiente internacional continuará sendo determinante para as próximas decisões de política monetária.
Entre os fatores de atenção permanecem as incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio e às decisões de política monetária das principais economias do mundo.
Quarto corte consecutivo
Com a decisão anunciada nesta quarta-feira, a Taxa Selic passa de 14,25% para 14% ao ano, consolidando o quarto corte consecutivo promovido pelo Copom.
Segundo o Banco Central, o ajuste é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta estabelecida, mantendo o compromisso da instituição com a estabilidade econômica.
Fonte: Agência Brasil | Adaptação: Redação